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Machado de Assis, servidor público: o escritor que também bateu ponto

Machado de Assis foi servidor público por mais de três décadas e escreveu suas obras mais conhecidas nesse período. Veja a carreira dele e o que ela diz a quem estuda e trabalha.

Por Prof. Sérgio Furtado··leitura de 5 min

Machado de Assis, servidor público: o escritor que também bateu ponto

Fala, família Esquematiza!

Você conhece Machado de Assis pelos livros: Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba. O que pouca gente lembra é que ele escreveu esses livros enquanto trabalhava como servidor público, com horário, chefia e processo para despachar.

Hoje eu quero contar essa parte da história dele. Ela fala muito com quem estuda para concurso e também com quem já passou e tem medo de que o cargo engula o resto da vida.

De onde Machado de Assis veio?

Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro. Os pais eram trabalhadores pobres, e ele era neto, pelo lado paterno, de pessoas escravizadas que conquistaram a liberdade.

Não teve recursos para cursos regulares. Estudou, em grande parte, por conta própria. Em 1856, entrou como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional, hoje Imprensa Nacional. Em 1858, já era revisor e colaborador do jornal Correio Mercantil.

Como foi a carreira de Machado de Assis no serviço público?

Foi longa e com promoções. Segundo as cronologias da Academia Brasileira de Letras e do Senado, estes foram os principais passos:

AnoCargo
1867Ajudante do diretor do Diário Oficial
1873Primeiro oficial da Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas (nomeado em 31 de dezembro)
1876Chefe de seção da mesma Secretaria
1880Oficial de gabinete do ministro
1889Diretor da Diretoria de Comércio
1892Diretor-geral de Viação
1902 a 1908Diretor-geral de Contabilidade

Em 1898, uma reforma administrativa o deixou em disponibilidade, e no mesmo ano ele voltou a trabalhar como secretário de um ministro. Em junho de 1908, entrou em licença para tratamento de saúde. Morreu em 29 de setembro de 1908, ainda ligado ao serviço público.

O que ele escreveu enquanto era servidor?

Quase tudo o que você estudou na escola. Pela bibliografia da Academia Brasileira de Letras, saíram nesse período:

  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, em livro, em 1881;
  • Quincas Borba, em 1891;
  • Dom Casmurro, em 1899;
  • Esaú e Jacó, em 1904, e Memorial de Aires, em 1908.

Em 1897, ainda no serviço público, ele participou da fundação da Academia Brasileira de Letras e foi o seu primeiro presidente, cargo que ocupou até morrer.

MACHADO DE ASSIS · CARTA A MÁRIO DE ALENCAR, 5 DE JANEIRO DE 1907 "Faço o que posso, mas para mim o trabalho é distração necessária."

O que a história de Machado diz a quem estuda para concurso?

Eu tiro três lições dela.

1. Origem não é destino

Machado não tinha diploma nem família com recursos. Começou como aprendiz, estudou sozinho e foi promovido degrau por degrau. O concurso público, com todos os seus problemas, é um dos poucos caminhos em que a régua é a mesma para todos: o edital.

2. O cargo pode sustentar o projeto

Muita gente estuda para concurso querendo estabilidade para fazer outra coisa: cuidar da família, escrever, empreender, voltar a estudar. Machado é um exemplo de que um cargo público pode conviver com uma obra pessoal construída ao longo de décadas.

3. Constância vence pressa

Entre o primeiro emprego público, em 1867, e a direção-geral de Contabilidade, passaram-se mais de três décadas. Ele construiu a carreira e a obra em paralelo, um pouco por dia. Na preparação, a lógica é a mesma: revisão constante pesa mais do que maratona de véspera.

Revise num único lugar, um pouco por dia!

E você, o que quer construir quando o cargo chegar? Conta aqui nos comentários.

Bons estudos e vamos nessa!

Informações conferidas nas fontes citadas e atualizadas em 1 de novembro de 2026.

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